sábado, 14 de janeiro de 2012

"Sugestões..."

         "Um bom livro pra ler?"
      
      Este foi o que podemos chamar de "pedido de sugestão" de uma amiga colocado (ou postado) hoje em uma das redes sociais mais "visitadas" ultimamente. Ora, estamos em um período de férias universitárias, ao menos na Federal do Rio Grande do Norte, e muitos alunos apelam para diversas soluções como fuga do tão "temido" ócio (nesse sentido como "nada pra fazer" ou mesmo "preguiça") após um cansativo e longo semestre de estudos com prazos apertados.
         A primeira resposta que ela obteve foi: "Vai depender muito do tipo de leitura que você gosta...". De fato, nos encontramos no receio de sugerir algo cujo conteúdo corra o risco de não satisfazer os desejos de quem o recebe ou pede, seja por um tipo de leitura da qual não aprecie ou por qualquer outro motivo. Porém, penso que quando alguém faz um pedido desses é justamente para experimentar o que ainda não faz parte de seu mundo, nesse caso, literário, e para não se privar do ânimo de encarar algo desconhecido, mesmo que não o goste a princípio.
         O que é bom para mim pode não sê-lo para outrem, mas quando li este "Um bom livro pra ler?", o primeiro que me veio à frente imaginariamente dos meus olhos foi "Cem anos de solidão", de Gabriel Garcia Marquez, e que talvez de cara já crie um certo afastamento pelo título, e não serei eu a desmistificar a história do livro apenas pelo simples fato de ele trazer a suposição de um conto enfadonho, o que de fato não é.
Ramiro Teixeira.        

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"A uma atriz, Castro Alves..."

Branco cisne que vogavas
Das harmonias do mar,
Pomba errante de outros climas,
Viestes aos cerros pousar.
Inda bem. Sob os palmares,
Na voz do condor, dos mares,
Das cerranias, dos céus...
Sente o homem - que é poeta.
Sente o vate - que é profeta
Sente o profeta - que é Deus

Há alguma cousa de grande
Deste mundo de amplitidão,
Como que a face do Eterno
Palpita na criação...
E o homem que olha o deserto,
Diz consigo: "Deus 'stá perto
Que a grandeza é o criador".
E, sob as paternas vistas,
Larga rédeas às conquistas,
Pede as asas ao condor.

Inda bem. A glória é isto...
É ser tudo... é ser qual Deus...
Agitar as selvas d'alma
Ao sopro dos lábios teus...
Dizer ao peito - suspira!
Dizer à mente - delira!
A glória inda é mais: É ver
Homens, que tremem - se tremes!
Homens, que gemes - se gemes!
Que morrem - se vais morrer!

(...)

Espumas flutuantes, p. 140.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"Um pedido, um desejo, uma cor..."

        Bom, depois do fim de semana coincidente com as festas do Natal, passamos pela última semana do ano e pelos preparativos das festividades do dia 31 e para a chegada do dia primeiro do ano a ser parido. E como diz (e provavelmente mal "interpretando") a Bíblia, a humanidade sofre as dores de um parto sem saber o que lhe caberá no porvir. Talvez seja por isso (pela não certeza do que virá) que muitos projetam nas cores do último vestuário do ano seus desejos para o próximo período.
        Dinheiro, amor, saúde e paz, não necessariamente nessa ordem, cada um com sua cor correspondente diante da importância causal e casual na vida das pessoas. Crentes disso ou não, o fato é que muitos tentam a sorte na virada, se der certo, ótimo; se não, no próximo réveillon troca-se... o pedido, a tentativa, a fórmula etc.

Ramiro Teixeira.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Velho e novo..."

         Ocidente, América Latina, América do Sul, Brasil. E temos o nosso tempo medido por eventos populares. Embora nos guiamos por dias da semana, por meses e anos, as datas comemorativas pressionam de maneira ímpar a organização do nosso tempo, e cada uma traz sua maneira particular das pessoas viverem tal data.
         Algumas ainda têm a artimanha de se prolongarem por mais dias, assim temos as festividades natalinas. Essas comemorações já começam a ser pensadas pelo menos já no início de novembro, além das tradições culturais que as sustentam, nascimento de Cristo e outras incorporadas pelos comerciantes, os demais as encaram como o começo de algo, portanto, a celebração de uma novidade, e para tanto "sugere" uma nova roupagem, roupas novas.
          É um tal alvoroço em comprar roupas novas, porque essa época não pode passar em branco e muito menos com repetições, e começa a corrida para não decepcionar (talvez o ego, no bom sentido!). 
     Coisas velhas, tempos novos, coisas novas, e temos a mescla das movimentações do seres humanos em suas mais variadas maneiras de encararem suas realidades, sejam festivas ou de outros tipos.

          Crítica ou não, aí está "Velha roupa colorida", Belchior:

"Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer

(...)
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais"


Ramiro Teixeira.

domingo, 11 de dezembro de 2011

"Os retratos..."

       Constatamos uma recorrência dos registros fotográficos tomando conta dos encontros entre amigos. Ora, fotografia não é uma invenção tão recente assim, porém, com todo aparato tecnológico moderno, máquinas digitais, e tantas parafernálias que eu não me arrisco a nomear, não por discordar, mas por falta de acompanhamento do ritmo com que são lançadas no mercado consumidor. Resoluções de alta qualidade e programas de softwares como suportes para manipular qualquer tipo de imagem e deixá-la de acordo (ou quase) com o que nossa mente gostaria que fosse.
      Com a facilidade da divulgação nas redes sociais da internet, então, torna-se tão mais próximo compartilhar os seus momentos triviais quanto os de maior repercussão. São registros de praticamente todos os passos do indivíduo, da pessoa, do seu grupo. De fato, se não fossem tais lembranças capturadas em uma caixinha que seja, como seriam repassadas as informações do tempo presente? Ah, o homem certamente reinventaria sua mídia.
       E para quem são repassadas as imagens ampliadas por uma "simples" placa tecnológica? É o desejo de todos saberem sobre a vida de todos ou a necessidade do indivíduo de demonstrar algo?

Ramiro Teixeira.