quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Hoje..."

    Por vezes me estala a consciência às realidades e percebo o quanto de diversidade há em nossas ideias, seja lá a que estejam relacionadas, se ao planejamento direcionado a um longo prazo ou se a objetivos para serem alcançados em em único dia prestes a nascer. Ainda que com apenas essas duas variáveis escolhidas aqui, nos é apresentada uma gama de possibilidades tanto para a idealização como para a realização dos nossos empreendimentos. E aqui cabe uma boa ponderação quanto ao que traçamos como meta e como meios para chegar a um dado ponto referencial, pois ao longo dos nossos passos pode nos ser proposto um novo traçado de vida (devida).
     Ora, dependendo da esfera ou da parcela da sociedade onde vive o indivíduo em seu grupo ou na qual ele mantem suas relações com as pessoas, os referenciais e os meios para alcançá-los mudam, os projetos que arquiteta em sua mente podem seguir as possíveis influências daquilo que o rodeia, e, assim, ilustrar um dia com outros tipos de combinações entre as mesmas cores utilizadas talvez por outro personagem. Portanto, o dia anterior e o dia que se espera são forjados a partir de expectativas criadas por um conjunto de variáveis que acompanham o ser humano. 
    Porém, todas essas especulações podem cair por terra quando de fato chegam no dia de hoje. É somente neste que decisões podem ser de fato tomadas e postas em execução, concretizadas ou não, e ainda serem reavaliadas e sofrerem adaptações. Seria, com isso, talvez, um ato falho atender o hoje no dia que o antecedeu ou no dia que poderá ser seu sucessor. Variáveis de dia, variáveis de contexto, variáveis de pensamentos e de pessoas.
      Mesmo com a ciência de todas as possibilidades de agir, o ser humano surpreende em soprar as mesmss acordes, mas em sequências diferentes.

"Hoje a vida aconteceu em mim, o sol sorriu e me abraçou, me deu um abraço de calor, vejo uma vontade de viver e descobrir que a vida é todo dia assim"; "O grande segredo da vida é viver o dia" - frases de um poeta eclesiástico que não se toma por importante a ponto de cobrar sua menção autoral nessas frases em aspas.

Ramiro Teixeira.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"Indivíduo no Brasil..."

“instrumento de uma sociedade onde as ralações pessoais formam o núcleo daquilo que nós chamamos de ‘moralidade’ (ou ‘esfera moral’), e tem um enorme peso no jogo vivo do sistema, sempre ocupando os espaços que as leis do Estado e da economia não penetram” (Carnavais Malandros e heróis p. 151, Roberto Da Matta). Prevalece, pois, a posição política e social, onde a revelação da identidade social evita a igualdade perante a lei e evita o sistema da totalidade.


Ramiro Teixeira.

sábado, 19 de novembro de 2011

"silêncio social..."

          "...não existiria som se não houvesse o silêncio...", Certas coisas-Lulu Santos.
         
       Ora, os estudos antropológicos nos dão uma boa contribuição para uma possível compreensão dos acontecimentos sociais. Os pares de oposição, como direito/esquerdo, dentro/fora, alto/baixo, entre tantos outros, são designações interdependentes, muito embora com algumas ressalvas cujas citações não precisam ser feitas aqui nem agora. Pois bem, só temos a noção do que é "dentro" por que sabemos que existe um espaço situado "fora", e vice-versa, e da mesma maneira com as outras duplas divergentes.
         Voltando ao "silêncio e som", sempre me perguntei qual a melhor forma de pedir silêncio: se cruzando os lábios com o dedo indicador, fazendo com a boca um traçado em forma de cruz ou sinal de soma, libertando um "xiiiiiii"; se falando mais alto do que o barulho em volta, e literalmente pronunciando silêncio; ou se simplesmente calando até que o silêncio de um seja percebido pelos demais.
        E como é dito mundo a fora, "quem cala consente", o silêncio também pode ser encarado como resposta "concordata" ao que está sendo proposto;  porém, o silêncio pode ser um tal desprezo da parte de quem recebe uma proposição, porque também é pressuposto de indiferença.
         Enfim, silêncio e som, antagônicos, complementares, intencionados ou não, sempre causam um certo furor em quem participa do mesmo espaço no qual eles figuram.

Ramiro Teixeira.

sábado, 29 de outubro de 2011

"No campus estudantil..."

         "Mas que trocadilho infame", como costuma cantar Belchior.
      Suspeitas de fraudes na prova do ENEM (mais uma vez) e ação dos estudantes na USP. Como para todos os assuntos sobre os quais se estendem maiores discussões acaloradas, sobretudo quando delas participam uma considerável quantidade e diversidade de sujeitos com suas expressões e opiniões, talvez complementares até, também para aqueles temos quantas leituras possíveis forem que procuram explicar suas razões, defendendo suas ideias, muito embora sejam reflexões a respeito dos acontecimentos pontuais, limitando-se ao tempo presente.
          Ora, sobre o ENEM temos uma medida que tenta subsidiar (e olha que os nossos dicionários trazem subsídio como um "socorro") ao que já em primeira mão não está sendo oferecido aos cidadãos, garantia de educação para todos, visto que "todos são iguais perante a lei" (Constituição Federal, 1988), portanto mais do que tão somente o mérito de averiguar se houve corrupção ou não na aplicação das provas, poderia se pensar por que não há vagas no ensino superior (e de qualidade!) para todos, fazendo-nos crer na boa atitude de selecionar os estudantes através de um exame investigativo dos últimos anos de estudo cujo nome de batismo é Ensino Médio.
          Na USP, tem-se o estopim, como em toda grande movimentação com seu momento de deflagação, na prisão de alunos que portavam maconha. Mas, será mesmo que o motivo da revolta dos estudantes provêm desse ato, que para eles é um abuso do poder de polícia (reflexão que também nos rende boas discussões!), ou o descontentamento com as medidas político-administrativas da Universidade tem um fundo de verdade bem mais relevante e remetente a um passado não tão próximo?
          De fato, questionamentos implícitos neste jogo onde só estão à nossa vista nua os fatos que percorrem os veículos midiáticos, porém, não são precisos maiores esforços para percebermos o emaranhado de falcatruas que escondem a raíz desses problemas, entre outros, deficit na educação formal, forjada sobre os escombros nada aceitos do saber popular, oriundo de uma tão má vontade política estrutural (em consolidar segmentos da sociedade brasileira) preocupada com apenas um de seus investidores, a iniciativa privada dos poucos grandes proprietários, esquecendo seus outros financiadores, os impostos pagos pelos muitos pequenos trabalhadores e contribuintes dos cofres públicos.

Ramiro Teixeira.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"12 de outubro, mais um dia de Aparecer..."

          12 de outubro, notadamente feriado nacional por ser dia da padoreira oficial do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. E como toda data de descando tal qual esta, talvez não pela motivação inicial, mas pelo que se segue, supõe-se um tal tempo livre no qual alguns indivíduos ou mesmo em composição de grupos dispõem para relizar diversas atividades.
       Bem, há uma bela discussão quanto às consequências dos feriados nacionais e locais no pais. Uns defendem-nos, apoiados na tese de que os trabalhadores, apenas para citar uma categoria entre as várias existentes na sociedade brasileira, têm uma carga horária de trabalho já bastante alta e merecem, portanto, uma folga extra, além de se tratar de um evento referente aos valores culturais do povo no qual estão consituídos. Os que não corroboram com a ideia da folga extraordinária quando o feriado é em dia útil alegam ser um dia a menos na produção econômica do país, sendo, assim, um atraso para a economia.
         Não entrando no mérito deste debate, embora suscite amplas reflexões, temos a propagação de como alguns vários grupos vivenciaram o feriado. Movimentações, intituladas "Marcha contra corrupção", em cidades brasileiras reivindicavam, entre outras pautas, o fim do voto secreto em algumas eleições entre nossos representantes e a aplicação da ficha limpa. Denunciavam, sobretudo, a prática da corrupção dos nomeadamente políticos, eleitos nas urnas (eletrônicas, não imagine-se, talvez, as práticas da República Velha, eleitores fantasmas, entre outras; atualmente a alienação eleitoral se dá de outras formas, mas o voto está como direito individual, ainda que considere uma idade mínima para tal).
        Para a palavra "corrupção", segundo alguns dicionários, temos quatro possíveis significados: depravação, suborno, alteração e sedução. Descrições que trazem a ideia de mal procedimento diante de um situação cuja atitude esperada é a de promover outras ocasiões favoráveis à maior parte da sociedade ou parcela desta que esteja diretamente envolvida nas consequências das decisões tomadas. Tal alteração se dá a partir da aceitação de um estado de proveito pessoal e da visão de quem a pratica de que usufruir individualmente dos direitos destinados a outrem, privando-o(s), senão totalmente, ao menos em parte, mas ainda assim se trata de desvio do bem alheio, não implicará em retaliação significativa, devido à alta taxa de impunidade recorrente em meio à sociedade.
          Enfim, reclamava-se por uma boa conduta no tratado dos direitos do povo e para o povo, isso é totalmente válido e louvável, porém, uma pequena parcela em favor do todo era quem travava (ou trava) o embate, mas, não por isso é ilegítimo nem posto à total reprovação. Um trabalho em conjunto e, talvez, com maior eficácia e eficiência, seria o próprio povo, a parcela que não escancara da mesma maneira, mesmo no seu espaço micro no qual vive seu social, conhecer os espaços nos quais deve e pode atuar e os meios para assim o fazer, levantar a voz e articular os braços.

Ramiro Teixeira.