quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Herói (nacional)..."

Herói nacional. Quem?
       Relembrando um pouco da história brasileira, ainda no período colonial, no qual tivemos várias revoluções e outras tentativas entre as quais a Inconfidência Mineira, em 1789, no período do ciclo do ouro, onde hoje é o território de Minas Gerais. Portugal, então metrópole, impunha abusivas leis e regras sobre a colônia brasileira, medidas desencadeadoras de sentimentos de opressão em muitos brasileiros.
      Ora, o resultado mais conhecido desse levante no país ficou a cargo da morte do Tiradentes, figura notadamente popular quando o Brasil em 1889, cem anos depois da Inconfidência, proclamou sua "independência" e precisava instaurar retratos nacionais para a população, simbolizou-se, assim, o esboço de Joaquim José da Silva Xavier, esquartejado e tendo suas partes físicas distribuídas pelas ruas, um homem de origem humilde lutara pelas causas nacionais e morrera defendendo o país, um herói brasileiro. Projeto para consolidar uma identidade do povo no Brasil.
        Como as autoridades são eficientes quando querem...
       Hoje comemora-se tal data e não se vê muita empolgação na nação, afinal de contas isso tudo já passou, o objetivo já foi alcançado, pouco é divulgado sobre a História do Brasil. Seguimos assim, conhecendo apenas aquilo interessante para quem detem poder o político no país.
        É mais um feriado...
       Ah, amanhã, dia 22 de abril, comemora-se o "descobrimento do Brasil"!

Ramiro Teixeira.

sábado, 16 de abril de 2011

"Identidade nas descrições..."

     Segundo tantas teorias na área das ciências humanas e sociais procurando responder a questionamentos referentes à identidade individual do ser humano, temos uma gama de ideias sobre aquilo pensado pelo homem sobre ele mesmo. Um desses conceitos está presente em um conjunto de textos chamado "Meditações", do filósofo René Descartes, no qual o pensador trata da "distinção real entre a alma e corpo do homem"; outro conceito, ainda, está posto nos estudos desenvolvidos pela Antropologia, com Radcliffe-Brow, ao lançar a ideia de que um ser humano vivendo em sociedade é indivíduo, um ser fisio-biológico; e, também, uma pessoa, a saber, uma complexidade vivida nos relacionamentos sociais, adquiridos durante toda sua vida.
      Ora, nestes últimos 15 ou 20 anos, a Internet vem proporcionando um tipo de ligação virtual nos sites de relacionamento, entre muitos dos quais conhecemos. Uma das primeiras informações propostas ou exigidas no cadastro nessas páginas da rede mundial é a descrição do "Quem sou eu", no qual as pessoas expõem aquilo de interessante sobre elas: atividades as quais realizam, trabalhos, estudos, áreas de interesses; preferências musicais, literárias; relações mantidas de amizade e amorosas; perspectivas. Enfim, uma série de enumerações da sua vida cotidiana, muito embora, tratando-se de um campo virtual, possa-se encontrar muitas informações não coerentes com a realidade do indivíduo, mas um suposto modelo de ideal o qual o cidadão gostaria de manter como verdade.
      Bem, por mais influente, imediata, necessária, eficaz, que parece a utilização da Internet como suporte para relações de todos os tipos entre as pessoas, não podemos nos restringir a essa novíssima tecnologia virtual, e cada vez mais modernizada, para construção da nossa identidade(claramente também não nos é saudável, a todo instante, prendermo-nos na nostalgia do passado).
      Adaptáveis como somos, os seres humanos, construímos nossa vida social a partir de interações interpessoais, no entanto, e não negando a contribuição das redes sociais muito menos fechando os olhos para as suas possíveis implicações negativas, minha aposta e crença se moldam na perspectiva das ligações de uns com os outros como ação, e não apenas como possibilidades virtuais. E aqui me recordo de uma propaganda de um produto cosmético: "toda rotina tem a sua beleza". Cabe-nos reecontrar o prazer da convivência real entre as pessoas.

Ramiro Teixeira.

sábado, 9 de abril de 2011

"Prá reunir..."

Uma canção é pra isso

 "Uma canção é prá acender o Sol
No coração da pessoa
Prá fazer brilhar como um farol
O som depois que ressoa...


Uma canção é prá trazer calor
Deixar a vida mais quente
Prá puxar o fio da paixão
No labirinto da gente...


Uma canção é prá fazer o Sol
Nascer de novo
Prá cantar o que nos encantou
Na companhia do povo...


Prá consertar
Prá defender a cidadela
Prá celebrar
Prá reunir bairro e favela...


Prá clarear a escuridão
E o mundo encerra
Prá balançar
Prá reunir o céu e a terra..."


Samuel Rosa e Chico Amaral.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"Dia da verdade..."

     Primeiro de abril, o chamado "dia da mentira". Considere-se o fato de muitas práticas sociais irem perdendo seu espaço ao longo da história da humanidade. Ora, o movimento da sociedade, apesar de ser lento, tende sempre a mudanças. E quantas tradições, por assim dizer, não nos trazem boas recordações, não nos fazem falta? Quem nunca pregou uma mentira nesse tão risonho dia? E mais, quem nunca foi vítima de uma brincadeira enganosa?
Não somente as crianças entravam na "celebração", muitos adultos também se faziam parte dessa alegoria. Seja qual fosse o nível da troça: "ei, caiu um objeto seu", "tem alguém te chamando acolá".
     Hoje não sei como são vividos esses tipos de dias comemorativos, parece-me que está tudo um pouco mais ranzinza, é uma tal falta de tempo para tudo, menos para as coisas sérias, isso não, trabalho em primeiro lugar de tudo, não há espaços para um...improviso, tudo precisa ler levado à risca, ou então perde-se dinheiro(a cifra ganhou uma tal importância a ponto de nos cegar para o valor da própria relação afetiva entre as pessoas!), e o capital se traveste de sentimento, e paga por ele, e também o vende.
      Ah, mas este tão "nobre" sentimento indo e vindo é isso mesmo, efêmero, irreal, esvai-se, porque o valor a ele dado, por ele cobrado não tem base terna, apenas mesquinha.
     Acho que não faz tão mal assim celebrar algo entre amigos, recusar um outro compromisso e ficar com os de nossa afeição, sem o risco do vício de ter o que pode ser visto(moeda), mas não pode comprar o invisível(amizade, até mesmo de poder contar uma mentira, nem que seja no primeiro de abril!).

Ramiro Teixeira.

sábado, 19 de março de 2011

"São José cultural...!"

     "São" tem pelo menos duas utilizações. Uma é como verbo de ligação entre um sujeito e um predicado, como por exemplo "as orações são eficazes". A outra é para abreviar a palavra santo, como "hoje é dia de São José!", de fato.
Bem, o dia de São José, na tradição católica, é celebrado hoje, 19/03, e como tal é marco determinante de um período de fartura(ou não!). É um dos santos com mais popularidade no catolicismo. Pudera, é proclamado como padroeiro das famílias, pela fidelidade à Maria, mãe de Jesus; padroeiro dos trabalhadores, por ter ensinado seu ofício de carpinteiro ao Filho de Deus; protetor da Igreja Católica Romana, por ter protegido Maria e o Cristo do rei Herodes, no recenseamento.
      Para muitos, quando chove no dia 19 de Março, é sinal de uma boa colheita no período de São João e São Pedro. Por isso é um dia mais que esperado no tocante às expectativas das famílias trabalhadoras no campo, de onde tiram seu sustento.
     Por mais que alguns por aí liguem o fato de chover quase que regularmente nesse dia a dados da Astronomia, da posição da Terra em relação ao Sol, a equinócios e solstícios(explicações técnicas, nem menos nem mais válidas!), é a força adquirida pela fé religiosa desse povo que marca a celebração e esperança no dia 19.
     É a festa cultural construída dentro de moldes de uma sociedade totalmente dependente do tempo, da estação e da época, para alimentarem seu futuro. Contudo, essa abordagem estritamente cultural não pode limitar as ações dos indivíduos nem fazê-los impotentes quanto à reconstrução do seu cotidiano, mesmo por que ele também é considerado exemplo de perseverança.

Ramiro Teixeira.